domingo, 31 de maio de 2009

Os sabores do amor


Tivemos uma longa e boa noite juntos. Eu e minha namorada. Primeiro, jantamos num restaurante oriental, de ambiente agradável e comide espetacular, bem temperada, harmonizada e com um aroma apaixonante. Foi, definitivamente, um jantar romântico. Estávamos comemorando. Não era aniversário dela. Nem meu. Nem de namoro. Também não era dia dos namorados. Comemorávamos nosso amor. somos loucos, um pelo outro. Completamente apaixonados. E lá se vão quase dois anos de namoro. Consideramos, por sermos daqueles que amam a conquista, cada dia desde que nos conhecemos. Todos eles contam por terem sido, todos eles, parte da nossa paixão.

Depois do jantar, animados e apaixonados, fomos a um barzinho, encontrar um casal de amigos. Algumas garrafas de vinho e muitos beijos e eu te amos depois, voltamos pra casa. Hoje, dormimos na dela. Já eram 3h da manhã e queriamos muito ficar juntos e continuar a nossa noite perfeita e romântica.

No quarto, ligamos um Coldplay baixinho e nos amamos. Nos amamos com fome. Beijos deliciosos. Apertados. Apertados ficamos. Dançamos a nossa dança. Na cama. Nos livramos dos lençóis. Nos amamos com uma paixão que fazia o ar condicionado passar despercebido no quarto. Queimávamos. Depois dessa noite inesquecível, esperamos o sol amanhecer. Na rede. Na varanda. Apertados. Mais beijos. Carinhos no cabelo dela, quase dormindo, cansada, com aquele risinho com os olhos quase fechados que revelavam a indisfarçável satisfação de mais uma noite inesquecível de amor.

O sol saiu, apreciamos as melhores cores do céu: laranjas, vermelhos roxos, cores fortes. Eram da cor daquele momento. Voltamos pra cama. Não queríamos mais nada. Só dormir e dormir um mesmo sono. Um mesmo sonho. Juntos. Apertados.

Acordamos tarde. Já sentindo os efeitos das garrafas de vinho tentando circular pelas veias. Realmente, elas são grandes demais pra circular por veias tão finas sem que causem incômodo. Causariam se não fôssemos quem somos. Eu e ela. Nós. Somos porque nos temos. E nos amamos. E não há nada mais gostoso do que tê-la. E do que ser dela. Por isso, rimos da dor de cabeça. Do estômago virando do avesso. Com a maquiagem borrada, os cabelos enrolados, tiro alguns fios do rosto dela antes de dar o primeiro beijo. A resposta é um som que vem junto com um sorriso e uma espreuiçada. Uma delícia. Se eu pudesse sonhar e inventar uma reação mais perfeita, não conseguiria.

Devagar, começamos a tomar café e a pensar nosso dia. Íamos almoçar fora. Chegamos a combinar o restaurante que seria: o nosso preferido. O que tem o prato preferido dela. Ela não se atreve a, jamais, mudar a escolha. O maître já sabe, quando ela chega e, ele mesmo, prepara. É um chamego pra ela. Ela causa essa reação nas pessoas: todos também a amam. Ela também ama a todos. Mais a mim. Nesse mesmo clima, lemos o jornal, eu pego meu livro, ela está apoiada no meu peito.

O telefone toca. É o meu melhor amigo. MERDA! Desligo o telefone, afasto ela do meu peito, meio sem jeito. MERDA! Olho nos olhos dela - Sou louco por essa mulher! Como eu a amo!- e falo: "Amor, não vamos poder almoçar juntos hoje." Ela, assustada porque eu desliguei o telefone e o clima já não é mais o mesmo pergunta, preocupada: "aconteceu alguma coisa? A mãe dele tá bem?!" Não aconteceu nada. Tá tudo bem. A mãe dele, inclusive, saiu do hospital. "Não, Meu Amor, tá tudo bem, sim!" Sorrio. "É que tem jogo do Flamengo hoje. E o Adriano vai jogar. Vou com o pessoal."

Nem preciso falar que tudo que tinha sido construído, desenhado por nós durante toda a noite foi, imediatamente apagado da memória dela. Nessas horas que eu falo: mulher é foda! Se elas sabem que todo homem gosta de ver a porra do jogo de futebol, porque não nos deixam ir pro Maracanã em paz?!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre amigos e amores

Desta vez, o tema é espinhoso, não menos saboroso. A relação homem-mulher, sem frescura. E usando o ponto de vista masculino. Sem reservas, afinal, sou homem. Por favor, não tragam Martha Medeiros ao debate!

Um amigo do meu pai, espirituoso - e heterossexual -, gostava de repetir uma frase:

“HOMEM GOSTA DE HOMEM! DE MULHER, ELE PRECISA.”

Passado o choque imediato, ele seguia com sua justificativa: homem gosta de conversar com homem, de Ir à praia com homem, de tomar cerveja com homem, de falar de futebol com homem e, presume-se, de falar de mulher com homem. Não importa até que ponto ele explore a amizade e a intimidade com o amigo: alguns contam em poesia o primeiro encontro com o amor da vida, mesmo que esse amor já-se tenha ido embora e desperte, neste instante, uma melancolia da dor incurada. Outros gostam de bradar aos sete ventos como fizeram, aconteceram, descrever cada vogal do gem-I-I-I-do dela.

Não importa a forma, somos homens. E, nesta condição, repetimos alguns comportamentos. Alguns deles, concordaremos, machistas. Outros, nem tanto. Mas, em se tratando de machismo, peço a luz de um grande homem, iluminado – perdoe-me o trocadilho que logo se fará compreendido, Kubrick. Certa vez, o consagrado ator, notório por não gostar de relacionamentos e, em detrimento deles, escolher sempre as companhias para as quais serve o Mastercard, soltou a seguinte frase:

“Mas eu não pago pra transar; pago pra ela ir embora!”

O gênio em questão é Jack Nicholson. A intimidade forçada ou forçosa que se segue logo após o gozo costuma criar situações embaraçosas. Derruba possíveis amores perfeitos. Antecipa desfechos de relacionamentos que não mais acontecerão. Jack Nicholson eliminou esse sentimento. Resolveu que não ligaria no dia seguinte. Sem máscaras ou falsos moralismos. Talvez no caso dele, as mulheres também estivessem esperando pela hora de “ir embora”. Provavelmente, estavam.

Agora, falando das mulheres, as amo. Todas. Existem horas em que, todos, desejamos ter um controle remoto com a tecla “MUTE” ao alcance das mãos. Mas, não há nada como a graça da conquista. A troca de olhares. Os testes do jogo. As concessões da batalha naval. O peso de cada passo. O medo do vacilo e de perder todas as peças do tabuleiro num erro bobo...

A verdade é que a sorte de sentimentos que vocês nos causam, os calafrios, o coração saltando pela boca, a saudade que sentimos quando vemos que só nos restam ‘40 minutos até irmos embora’, a angústia de esperarmos mais 10 minutos pra ligar sem dar pinta de que estamos contando os minutos há horas... É por isso que adoramos nossos amigos. Porque, vocês, nós amamos. E são os nossos amigos escutam as nossas melhores e piores histórias, a poesia e a putaria. Poesia e putaria que, sem vocês, não existiriam. E não teriam a mesma graça.

Pra vocês, um beijo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um brinde ao melhor!


Houve um dia, um sábio. Não é dos remotos tempos. Habitou nosso Planeta já no século XX. Não era político. Não era artista. Não era filósofo. Mas era brilhante.

Nasceu na Europa, não na Alemanha, maior berço dos gênios. Nem na França, dos maiores pensadores. Nem na Itália, dos maiores imperadores. Nasceu na acanhada e chuvosa Belfast, semi-independente parte integrante da Grã-Bretanha. Não foi o maior. Foi o melhor. Seu nome já dizia: George Best.

Foi o melhor jogador de futebol da Irlanda. Não foi Pelé. Mas, se com a bola nos pés, Pelé foi o gênio incomparável, com as palavras, não se podia comparar ao melhor, George Best. Certa vez, ao fim da vida, o beberrão - já doente - usou de sua sabedoria para uma das maiores frases já proferidas por aqueles que viveram e souberam viver:

"Gastei quase todo meu dinheiro com mulheres, bebidas e carros. O resto, eu desperdicei!"

Só para finalizar, com uma informação que não poderia estar ausente nesta primeira homenagem aos grande homens, pensadores, humanistas: George Best morreu aos 59 anos, de falência múltipla causada por uma cirrose em seu segundo fígado - sim, ele já havia passado por um transplante de fígado justamente por causa de outra cirrose, no original.

A George, o melhor!