
Tivemos uma longa e boa noite juntos. Eu e minha namorada. Primeiro, jantamos num restaurante oriental, de ambiente agradável e comide espetacular, bem temperada, harmonizada e com um aroma apaixonante. Foi, definitivamente, um jantar romântico. Estávamos comemorando. Não era aniversário dela. Nem meu. Nem de namoro. Também não era dia dos namorados. Comemorávamos nosso amor. somos loucos, um pelo outro. Completamente apaixonados. E lá se vão quase dois anos de namoro. Consideramos, por sermos daqueles que amam a conquista, cada dia desde que nos conhecemos. Todos eles contam por terem sido, todos eles, parte da nossa paixão.
Depois do jantar, animados e apaixonados, fomos a um barzinho, encontrar um casal de amigos. Algumas garrafas de vinho e muitos beijos e eu te amos depois, voltamos pra casa. Hoje, dormimos na dela. Já eram 3h da manhã e queriamos muito ficar juntos e continuar a nossa noite perfeita e romântica.
No quarto, ligamos um Coldplay baixinho e nos amamos. Nos amamos com fome. Beijos deliciosos. Apertados. Apertados ficamos. Dançamos a nossa dança. Na cama. Nos livramos dos lençóis. Nos amamos com uma paixão que fazia o ar condicionado passar despercebido no quarto. Queimávamos. Depois dessa noite inesquecível, esperamos o sol amanhecer. Na rede. Na varanda. Apertados. Mais beijos. Carinhos no cabelo dela, quase dormindo, cansada, com aquele risinho com os olhos quase fechados que revelavam a indisfarçável satisfação de mais uma noite inesquecível de amor.
O sol saiu, apreciamos as melhores cores do céu: laranjas, vermelhos roxos, cores fortes. Eram da cor daquele momento. Voltamos pra cama. Não queríamos mais nada. Só dormir e dormir um mesmo sono. Um mesmo sonho. Juntos. Apertados.
Acordamos tarde. Já sentindo os efeitos das garrafas de vinho tentando circular pelas veias. Realmente, elas são grandes demais pra circular por veias tão finas sem que causem incômodo. Causariam se não fôssemos quem somos. Eu e ela. Nós. Somos porque nos temos. E nos amamos. E não há nada mais gostoso do que tê-la. E do que ser dela. Por isso, rimos da dor de cabeça. Do estômago virando do avesso. Com a maquiagem borrada, os cabelos enrolados, tiro alguns fios do rosto dela antes de dar o primeiro beijo. A resposta é um som que vem junto com um sorriso e uma espreuiçada. Uma delícia. Se eu pudesse sonhar e inventar uma reação mais perfeita, não conseguiria.
Devagar, começamos a tomar café e a pensar nosso dia. Íamos almoçar fora. Chegamos a combinar o restaurante que seria: o nosso preferido. O que tem o prato preferido dela. Ela não se atreve a, jamais, mudar a escolha. O maître já sabe, quando ela chega e, ele mesmo, prepara. É um chamego pra ela. Ela causa essa reação nas pessoas: todos também a amam. Ela também ama a todos. Mais a mim. Nesse mesmo clima, lemos o jornal, eu pego meu livro, ela está apoiada no meu peito.
O telefone toca. É o meu melhor amigo. MERDA! Desligo o telefone, afasto ela do meu peito, meio sem jeito. MERDA! Olho nos olhos dela - Sou louco por essa mulher! Como eu a amo!- e falo: "Amor, não vamos poder almoçar juntos hoje." Ela, assustada porque eu desliguei o telefone e o clima já não é mais o mesmo pergunta, preocupada: "aconteceu alguma coisa? A mãe dele tá bem?!" Não aconteceu nada. Tá tudo bem. A mãe dele, inclusive, saiu do hospital. "Não, Meu Amor, tá tudo bem, sim!" Sorrio. "É que tem jogo do Flamengo hoje. E o Adriano vai jogar. Vou com o pessoal."
Nem preciso falar que tudo que tinha sido construído, desenhado por nós durante toda a noite foi, imediatamente apagado da memória dela. Nessas horas que eu falo: mulher é foda! Se elas sabem que todo homem gosta de ver a porra do jogo de futebol, porque não nos deixam ir pro Maracanã em paz?!








