terça-feira, 30 de junho de 2009

999 amigos!




Pessoal,

Entrei no blog para fazer alguns ajustes e preparar um novo texto e levei um susto com o número de visitantes que vieram aqui: 999. Além de ser o inverso do número da Besta, 666, me trouxe uma enorme alegria por, em tão pouco tempo - o primeiro texto é do dia 25/05 -, ter conseguido a companhia de tanta gente.

Em nome do George Best, do Jack Nicholson, do Plínio, do Onofre, do Francisco Gump e de todos que ainda contribuirão com suas histórias, mais ou menos risíveis, neste espaço, queria agradecer a todos que leram, comentaram, virtual ou pessoalmente, pelo carinho que tiveram com comigo e com o blog, que é uma grande brincadeira. Prometo empenho e esmero para os próximos textos serem melhores e mais divertidos do que os já publicados!

Se eu fosse Roberto Carlos, agora, só faltariam 999 mil amigos...

Um beijo, orgulhoso,
Victor Gomide e grande elenco.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quem bebe o que quer, ouve o que não quer!


Ele adorava contar histórias. Na verdade, não havia, no bairro, ninguém melhor do que ele. Algumas, sabíamos que eram verdade – eu, mesmo, testemunhei algumas, que ele contava, aí sim, com uns pontos a mais, mas vale o desconto... Quando ele chegava, juntava um monte porque era certeza de que iriam começar ‘As fábulas de Francisco’. De tão famoso pelas suas narrativas, fizemos um trocadilho com o seu sobrenome: de Gomes, passou a Gump. Com razão!

Ele era inigualável contando suas aventuras. Qualquer coisa que ele contasse parecia fantástica, arrancava risos freqüentes e, quando acabavam os aplausos, todo mundo pedia bis. O Francisco era fantástico. Mas tinha o ‘mais doce’ problema... A branquinha. Conforme a noite corria, multiplicavam-se os copos daquela cachaça mineira que o Seu Olavo, dono do nosso boteco, já deixava na mesa pra ele. E, invariavelmente, o baixinho Francisco saía alto. Beeeem alto do boteco. Como numa vez em que ele passou pela história que virou a lenda preferida de todo mundo – eu acredito que seja verdade!

Ele trabalhava com eventos. Vinha de quase duas semanas em que só parava de trabalhar para dormir (pouco) e comer. Em algumas noites, só cochilou. Numa sala que tinha um sofá lá no trabalho dele mesmo. Na quinta-feira em que o tal evento acabou, ele, já saudoso da boemia, partiu com tudo pro barzinho perto do escritório e, antes mesmo de se sentar à mesa, já tinha em mãos um copo e a branquinha. Foram logo algumas doses para ‘esquentar’ e ele já estava ficando à vontade. Foi quando percebeu, apoiada ao balcão, uma linda loura, de roupa curta e que não dava a menor atenção para todos os outros homens ao redor. Francisco se notou observado. Mais do que observado, sentiu-se caçado. Haveria de ser a sua noite de sorte!

Francisco sempre foi daqueles ‘corajosos’: “comigo, não tem tempo ruim”, cansava de dizer. Mas, nesse caso, coragem não seria necessária: a mulher era impressionante. E ninguém tirava os olhos dela. Ela impressionava mesmo. Era alta, tinha cabelos louros, pouco abaixo do ombro, largo, cintura fina, músculos firmes, pernas grossas e descobertas pela saia que só alcançava a metade da coxa. A blusinha, generosa, oferecia um belo horizonte para o mais novo crente do bar: “obrigado, Jesus!” – repetia Francisco.

Com um sinal sutil, a convidou para se sentar. Prontamente, aceito. Francisco se impressionava com a delicadeza e doçura com que era tratado por Joaquina. Gentil, ela o fazia elogios que Francisco chegava a pensar se faziam sentido – nunca ouvira que tinha lindos olhos (tinha um leve desvio no olho direito, que acompanhava mais o gato do que o peixe, normalmente, observado pelo esquerdo), que tinha (poucos e curtos) cabelos macios, cor de mel... Ele estava encantado. E se sabia invejado.

Logo, notou que, embora Joaquina já lhe fizesse companhia há mais de uma hora, os olhares dos outros homens continuavam a persegui-la. Não entendia por que razão aqueles ‘invejosos’ os olhavam, entre sussurros e piadas. Sentiu-se absolutamente incomodado: “não se respeita mais mulher acompanhada?!” Realmente, a postura era, no mínimo indelicada. Foi acalmado por ela até que, por sugestão dela, resolveram pagar a conta e ir-se embora, ficar mais à vontade.

Saíram do bar e foram para um ambiente em que pudessem ficar a sós, longe do alcance da ‘inveja’ dos infortunados. Francisco se impressionou com a altura e a rigidez das costas de Joaquina, enquanto andava com a mão contornando a sua cintura. “Não vou me esquecer nunca mais dessa noite!”, pensava. E tinha razão.

Quando já estava à porta do quarto, com a chave quase encaixando a chave na fechadura, o baque: “Francisco, você foi muito generoso e agradável comigo. Sua companhia fez a minha noite ser ótima.” Ele ficou até um pouco sem jeito, também estava encantado com ela e já pensava em convidá-la para um aniversário do Alan, do trabalho, na semana seguinte – “o pessoal não vai acreditar nesse lorão que eu arrumei!”. Deu-lhe um beijo no pescoço e encaixou a chave na porta. Joaquina, firme, segurou sua mão e, num tom grave, soltou algo que parecia entalado em sua garganta: “eu quero muito entrar nesse quarto com você, mas preciso te falar uma coisa. Eu sou como você.” Francisco tentou não entender. E Joaquina foi mais específica: “Quando eu nasci, eu era Joaquim...”

Nosso bravo Francisco, homem de palavra, manteve-se focado: “pois pra mim, hoje, você é a Joaquina...”

Ele estava certo. Quando nos contou, pela primeira vez, essa aventura, justificou com rara felicidade: “Meu amigo, eu tinha pago bebida, dado beijinho no pescoço e quase caído na porrada no meio do bar, entrei no motel com o traveco... Agora, quem iria acreditar que eu não comi?! Tá no inferno, abraça o capeta!”

Pois é, Francisco, quem bebe o que quer, ouve o que não quer!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Quem brinca com a merenda, acaba com fome


Onofre adorava trocadilhos. E se achava engraçado quando fazia um. Bastava passar da meia-noite – ele era um persistente boêmio – e começavam as piadinhas sobre ‘hoje – ou ontem?! Porque já é meia-noite e três...’ Em geral, só ele ria das suas piadinhas. Em geral, os parcos sorrisos que conseguia à mesa eram amarelados. Quando derrubavam uma bandeja, ele sempre soltava, de supetão: ‘acho que caiu um lenço!’ Ficou admirado quando ouviu uma outra alternativa e, por algum tempo, aguardou ansioso até poder soltá-la: ‘Não quebrou nada, só amassou!’ E ria, altivo.

As mulheres – todas – sofriam com ele. Além de chato, era insistente. Além de insistente, achava que era irresistível. Além de se achar irresistível, achava que todas as mulheres adoravam mesmo era fazer um doce com ele. Por horas! Noites inteiras! Não tinha muita sensibilidade para perceber o óbvio: era um mala!

Tinha um bom emprego e aproveitava da herança que os pais, que o tiveram em idade já avançada, haviam lhe deixado: um bom apartamento e uma ótima poupança na Caixa. Mas não conseguia aproveitar da companhia dos amigos. Por uma razão em especial: eles não existiam. Entretanto, ele sempre agia como se fossem, todos, íntimos. Tapinhas nas costas, ‘pescotapas’ (já quase tivemos uma briga quando ele veio com um desses pra cima de mim!), piadas sobre calvície com os carecas ‘O Aurélio é que nem piscina rasa: tem água, mas dá pra ver o fundo. Hahahaha!’. Como o Aurélio iria achar isso engraçado?! Ele, não hesitava e insistia: ‘Aurélio, daqui a pouco, se precisar. você pode pegar emprestado. É só jogar o cabelo de um lado pro outro. Ninguém nem vai reparar!’ Outra risada. Outra risada só dele.

Surpreendentemente, ele arrumou uma namorada. Até bonita. Até legal. Até uma santa. Ela era muito gentil, solícita e veio em boa hora: o fez sumir, pelo menos, umas três noites por semana, do bar. Era visível a diferença que a sua ausência causava quando ele não ia. E como as pessoas repetiam todas as suas piadas, recheadas de ironia e, muitas vezes, transbordando acidez. Quando passava uma sirene (pouco importava se fosse uma ambulância ou de um carro da polícia) e um já gritava, de um lado pro outro do bar: ‘Bê, abaixa aí: é a polícia!’ Todo mundo ria. Só o Onofre que não. Graças a Deus.

Ele, realmente, era muito chato. E inconveniente. Exultante por ter arrumado alguém que sorrisse depois de quatro minutos de papo – e muitos trocadilhos depois -, estava mais orgulhoso. E achava que aquele namoro comprovava sua tese de que ele era um eficiente galanteador. Seus recados em papéis rasgados, escritos com as canetas dos garçons nunca foram mais criativos do que: ‘Se você se machucou quando caiu do céu, deu sorte: eu sou médico. E, hoje, a consulta é grátis!’ Uma vez, viajava de férias – sozinho – e descobriu que havia um congresso de advogados no mesmo hotel em que estava hospedado. Esperou horas, sentado perto do barman, com uma frase infalível na cabeça: ‘Se o seu namorado faz direito, eu faço muito melhor!’ Usou essa várias vezes. Nenhuma deu certo. Será que ele não percebeu nada de errado com a estratégia?!

Mas a hora dele chegou. Quando o Juninho, um grande amigo nosso, anunciou que se casaria com a Adriana, o Onofre não resistiu: ‘Aê, Juninho, comeu a merenda antes do recreio, foi?! Hahaha!’. Mais uma vez, riu sozinho. O Juninho, um lorde, nem olhou pro idiota. Meses depois, o Onofre apareceu triste, cabisbaixo. Quase dava pena. Quase. Daria se ele não fosse o Onofre. Minutos – e nenhum trocadilho – depois, descobrimos a razão: Júlia, a Santa, o trcou por outro.

Alguns minutos depois, o Juninho chegou. Logo, soube da notícia, entre papos ao pé do ouvido cheios de piadas impiedosas. Não se agüentou e se levantou da mesa em que estava com a já esposa Adriana, e falou bem alto: ‘E aí, Onofre, que que houve?! Comeram a tua merenda?!’ O bar inteiro riu. Menos o Onofre. Foi o último trocadilho da vida do Onofre. Pelo menos, no nosso bar. Onofre nunca mais voltou. Penduramos um quadro do Juninho. Emoldurado. E com uma merenda.

sábado, 20 de junho de 2009

Tantas você fez


Plínio sempre foi o melhor. Desde o colégio, nunca foi o mais bonito. Nunca ninguém fez mais sucesso do que ele. O melhor no futebol. No pingue-pongue. No vôlei, não tinha pra ninguém! Entrou pra universidade e imediatamente se destacou. Trazia consigo, uma aura vencedora. Já no trote, os veteranos tentavam desmoralizá-lo, meio que antevendo um grande concorrente. Sempre se davam mal. Das calouras às veteranas, todas se preocupavam com ele. E ele, óbvio, adorava.

Chegou ao mercado de trabalho. Não poderia ser diferente. Rapidamente, ascendeu na empresa e, em menos de 4 anos, estava prestes a ser promovido a diretor. Era um fenômeno, também, profissionalmente. Era casado, 31 anos, uma filhinha linda de quase dois anos, tinha tudo. E todas!

Não era segredo que a empresa inteira o invejava. As mulheres o desejavam. E provocavam. E ele, óbvio, adorava. Saiu algumas vezes com a Marcinha, uma ruiva fogosa e espetacular. Pegou, também, aquela moreninha baixinha, das coxas de bailarina. Delícia! Todas que ele quis, ele conseguiu. A Rafa, a Lúcia, a Clau... As melhores, as médias e, eventualmente, algumas nem tão boas assim: realmente, ele era um profissional!

Não era segredo que ele era insaciável. Depois de cada conquista, surgiam as novas apostas: quem será a próxima?! ‘Acho que vai ser aquela magrinha da supervisão.’ ‘Sei não, eu o vi puxando um papo com a assistente do Juarez...’ ‘Vocês não têm noção de como a Flavia ta em cima dele... – disse o Aluísio, que trabalha na sala ao lado da de Plínio – hoje, até biscoitinhos ela levou pra ele, na hora do café. Eu vi tudo!’ E ele, óbvio, adorava.

O problema é que todo mundo sabia. Inclusive a mulher dele. Por muitos anos, ela o esperou em casa, com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão. Um dia, entretanto, até o perdão cansou-se de perdoar. Quando chegou em casa, encontrou duas malas e um recado: ‘Troquei a fechadura. Hoje, você não entra!’ Ele entendeu o recado. E ele, óbvio, não adorou. Ligou pra Lúcia e passou a noite com ela, esfuziante – ela.

No dia seguinte, flores, chocolates, bichinhos de pelúcia, o CD do Vinicius (não poderia ser de ninguém mais). Ela recebeu tudo e fechou a porta. Com ele do lado de fora. Ele compreendeu. E por dias, tentou. Ela o amava. E sabia que o aceitaria de volta. E também sabia que ele voltaria a abusar da regra três... Ele estava realmente disposto a mudar. Queria ser só dela! Estava cansado da poligamia. Enquanto não voltava pra casa, passava algumas noites com a Lúcia, outras com a Clau. As últimas, com o único amigo fiel, o Thiago.

Pra seu azar, assim que a sua mulher o aceitou de volta e tudo caminhava pruma direção que o relacionamento nunca tivera, a monogamia – pelo menos do lado dele -, a vice-presidente financeira, o tesão da Alice, terminou um casamento que, todos sabiam, era uma porcaria. Há anos, o marido dela já não tinha a menor paciência pra ela, brigavam freqüentemente, ele já não comparecia com freqüência – inclusive às festas e celebrações da companhia. Ela estava carente. E ela achava que o Plínio poderia resolver sua... carência. O Plínio, como bom investidor, já havia feito suas sondagens, ainda sem sucesso.

Agora, ela vinha com tudo pra cima dele. Logo agora! Inebriado pelo desejo, com a consciência pesada (pela primeira vez na vida!), ele evitava até o limite das forças. Volta-e-meia, ela ligava, sedutora e o deixava duro na cadeira. Vez por outra, o chamava à sua sala, com os mais picantes decotes – e fazia questão de deixá-los o mais à mostra que fosse possível dentro daqueles tailleurs que a deixavam ainda mais fabulosa. Ela era foda! E ele, é óbvio, adorava. Mas, aos trancos e barrancos, naquele momento, se segurava. Como podia. No sexo, eventualmente, fechava os olhos e, por alguns instantes, era a chefe que estava ali...

O assédio aumentou. A repercussão também. Todo mundo acompanhava seus movimentos, sabendo que, alguma hora, ele não agüentaria. Só queriam saber quando seria. Estava cada vez mais perto, disso, todos sabiam. Inclusive ele. Heroicamente, entretanto, ele conseguiu resistir até o fim. Até o seu fim.

Os rumores começavam a afetar a imagem dele. Da Alice, também. Tomada pelo desejo, pelo recalque e pelo desespero, o chamou para uma última cartada: mandou um e-mail o convocando para uma reunião, depois do expediente, num barzinho próximo ao trabalho. Ele sabia que o encontro seria mortal. Mais complicado, inclusive, com sua primeira morte, quando disse ‘SIM’ no altar, quatro anos antes. Ali, ainda não tinha noção do que o esperava.

Resignado, foi ao encontro. E ela, mais ainda, foi com tudo pra cima. Não agüentava tanta resistência. O provocava com palavras, olhares, carinhos. Ele estava quase entregue. Quando ela jogou-se contra seu pescoço, apertou seu peitoral, ele pulou do banco e falou: ‘Não posso, sou viado!’ Incrédula, ela ainda o ouviu, sem entender nada: ‘Quer dizer, ESTOU viado!’

No dia seguinte, perdeu seu emprego. A alegação da diretoria– e patrocinada por Alice – era que não poderiam promover um homem que expunha tanto diante de toda a empresa, sua vida particular. Realmente, naquelas semanas, seu rendimento e concentração haviam caído vertiginosamente. Quando a mulher o viu chegar em casa, com uma bolsa cheia de seus pertences pessoais do trabalho, não conseguiu aceitar que ele fora demitido por NÃO comer a gostosa da Alice – até ela, anos depois me confessaria, já a havia desejado, mas não encontrou meios de convidar Plínio para o ménage. O problema foi que, além de não aceitar mais uma mentira dele, foi o estopim para o fim do casamento.

Resumo da história: seja dono do seu negócio, porque chefe é uma merda! Mesmo quando você faz a coisa certa, sempre arruma um jeito de te fuder! Vá com Deus, Plínio... Já, já, você arruma outra.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Um amor mal-entendido


Acho que nem acordei hoje. Não acordei porque quase não dormi. Fez frio ontem. Senti frio ontem. Senti a sua falta. Senti medo. Me acostumei a dormir mal, mas com você nos meus braços. A sua ausência me dói demais. Insuportável.

Faz poucas semanas que te perdi, mas cada dia tem 24 infinitas horas. E cada hora dura 60 intermináveis minutos. Tento dormir pro tempo passar mais rápido. Tento sair, pra não te ver, na minha cabeceira, sorrindo. Linda. Tento olhar pra nada pra não fechar os olhos e chorar. Por que você se foi? Por que não está mais aqui, apertando o meu peito no sofá? Alegre como crianças de comerciais de margarina quando eu chego com o café da manhã na cama. Por que o seu sorriso some quando você pensa em mim? Por que eu te perdi?

...

Você não faz idéia da falta que me faz. Que saudade da sua barba mal feita. Do seu peito, magro, mas gostoso de descansar. Como eu adoro o seu cafuné! Como eu adoro o seu carinho, sua preocupação comigo! Que delícia eram as suas surpresas. Acordar com tantos beijos, com um café da manhã caprichado na cama. Ou levantar e abrir o armário e encontrar flores que, como você, acordaram cedo pra não me acordar nem me permitir desconfiar. Como você foi importante pra mim!
Preciso de você. Amo você. Não consigo ficar afastada de você. Não sei o que eu faço. A confiança se quebrou. Não consigo mais olhar pra você e ver a mesma pessoa. Por que você fez isso?

...

Meu amor, por que você não me dá uma chance? Por que você não me explica por que eu te perdi? O que foi que eu fiz de errado? Te protegi demais? Não te deixei ter seu espaço? Fiz todas as suas vontades? Eu posso ser menos intenso! Posso te cobrar menos. Posso ser menos eu. Aliás, não sei mais o que sou eu. Eu passo por você. E, sem você, não sei por onde começar essa resposta. Me diz alguma coisa! Preciso de você

...

Você nunca poderia ter feito isso comigo! Meu coração foi rasgado por aquela ligação... Cada uma das palavras ecoava no seu ouvido. Por mais que não conseguisse acreditar, ela tinha sido agredida com aquela revelação. Não sabia nem podia voltar atrás! Como ele fez isso comigo?!

...

Ele beirava o desespero. Nunca havia amado tanto na vida. Nunca tivera alguém como ela. Nada lhe importava mais do que cada momento que viveram juntos – e que ele desejava que vivessem de novo! Nunca a trocaria por ninguém!

...

“Estou tendo um caso com o seu marido... TIC” Foi isso que ela ouviu, antes de a ligação ser interrompida. O mundo parou. Seu mundo caiu. Ela caiu. Chorou desesperada. Tentou ouvir mais. Gritou! “Essa desgraçada nem me deixou falar!”

...

Do outro lado, a mulher congelou: “Merda, isso é um nove ou um quatro?!”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Saudade de sentir saudade


“Você tem exatamente
Três mil horas
Pra parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo
Tudo pra me conquistar”

Por que a gente é assim? - Cazuza e Barão

Isso nunca me aconteceu antes. Nunca amei ninguém à primeira vista. Já, sim, odiei à primeira vista. Com ela, tudo é diferente. E, agora, amo. Agora já são 10 dias. E cada dia, mais...

Sempre fui daqueles que gostam de tudo o tempo todo. Intensidade. Sempre! Gosto de curtir tudo até o fim. Tomo meu refrigerante até o canudo fazer barulho. Raspo o prato da sobremesa – não poderia deixar sobrar tanta calda de chocolate. Nada me faz sair do Maracanã no meio de um jogo. Nem nas mais dolorosas goleadas que vi o Flamengo levar.

Agora, com ela, sinto essa mesma vontade. Quero tudo, sempre. Há semanas, reclamava a falta que me fazia amar. Reclamava a falta que me fazia alguém. Sabia que ela me fazia falta – só não a conhecia, ainda. Sentia falta de alguém para falar: ‘esse aqui é meu coração, toma.’

Há 10 dias, voltei a sonhar. Voltei a adorar. Adoro a pessoa que sou com ela. Adoro a pessoa que sou por causa dela. Voltei a procurar flores. ‘Separa aquele vasinho com mais botões fechados, por favor’. ‘Amor, tem que regar de dois em dois dias.’ Adoro planejar a surpresa de amanhã. Adoro imaginar o sorriso dela quando receber a surpresa de amanhã. Adoro sentir saudade, mesmo quando ainda estou com ela, chegando em casa. Adoro, depois de passarmos o dia inteiro juntos, esperar ela me ligar dizendo: ‘cheguei, to indo dormir, mas não quero desligar’... Adoro amar.

Há 10 dias, penso nisso e me percebi amando de novo. E planejando... ‘Vamos passar um fim de semana num lugar frio?’ ‘E se fôssemos prum lugar quente?’ ‘Tô com um vinho gostoso aqui em casa, quer?’ ‘Vamos jantar fora amanhã?’

Há 10 dias, nos vemos todos os dias. E nos falamos o dia inteiro. E nos despedimos de noite. Ou acordamos durante a noite toda, mudando de um lado pro outro, - já tinha me esquecido como é gostoso o desconforto de dormir com quem se ama. E como eu sentia falta disso!

Hoje, não conseguimos nos encontrar. Hoje, ela foi embora. Viajou. Vai ficar fora. 10 dias. 10 dias. Muito tempo. Muito tempo pra quem precisa dela todos os dias. Muito tempo pra quem não consegue ficar sem ela há 10 dias. Muito tempo pra mim. Que seja muito tempo pra ela.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ao amor - e aos apaixonados



Pego emprestadas palavras já muito repetidas nas rádios, de uma música que todos já devem ter ouvido uma vez, para não deixar passar esse dia tão gostoso...

We'll crucify the insincere tonight
We'll make things right, we'll feel it all tonight
We'll find a way to offer up the night tonight
The indescribable moments of your life tonight
The impossible is possible tonight
Believe in me as I believe in you...
Tonight

Tonight, Tonight – Smashing Pumpkins

Acho que não cabem mais palavras. Parabéns a todos que não estarão sozinhos hoje. E cujos corações não passarão frio essa noite...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Para os românticos, a surpresa


Ele comemorava – estava apaixonado de novo! Havia muito, ele torcia pela visita da fadinha encantada que, com seu pozinho mágico, o escolhesse para ser o próximo a viajar no mágico trem do amor – calma, gente, não é suruba! Ele era um cara rígido, um pouco travado em relação a sentimentos e sabia que tinha perdido algumas preciosas oportunidades de se apaixonar por erros estúpidos, maus julgamentos e fraquejos típicos de quando se pode lançar ao amor e recuar para o conforto da vida cinza – e sem graça.

O relacionamento engatava e, apesar de já terem se passado quase 5 meses desde que começaram a namorar, agora o sentimento o dominava de sobremaneira. Naquela tarde, ele já tinha tudo planejado. Na véspera, tratou de adiantar vários compromissos com a secretária. Encontros com fornecedores já tinham sido resolvidos na semana anterior. Todas as reuniões burocráticas foram pela manhã. A secretária, também, havia comprado o anel que daria de presente para a razão de tantos sorrisos bobos e de tão pouco foco no trabalho, cada vez mais tedioso.

Os minutos demoravam demais a passar quando usava aquele terno alinhado e caro. Voavam quando só usava os lençóis e o colo dela como roupa. Desde que se percebeu envolto pelas nuvens da paixão, sua testosterona perdeu o saco para o trabalho, mas aumentou o tesão pela vida mundana, coisa que, há muito, ele já não tinha: todos sabiam de sua fixação por trabalho e como vibrava quando conseguia o que queria – o que era absolutamente freqüente. Mas, aquela baixinha estava virando a sua cabeça do avesso.

Naquela semana, ele chegou a ligar para o banco, a cotar o valor das suas inúmeras ações: queria, pela primeira vez, fazer algo de impulso! Pensou numa viagem pela Europa. – Não, muito óbvio! Cogitou um safari na África, - Quem sabe, mergulhar com os tubarões?!. Lembrou que a Adriana ficava enjoada em alto mar. Fato é que estava prestes a abandonar o barco que comandava, com pulso firme e sem nenhuma tolerância, há 7 anos. Realmente, estava um saco aquilo.

Saiu do trabalho às quatro da tarde. Pegou o anel de brilhantes com a secretária, que, mulher sábia, havia também comprado um lindo arranjo de flores: ‘não leve rosas, Rubens, todo mundo dá rosas!’ Outra coisa, ainda mais sábia, que ela pensou, mas não falou, foi: esse negócio de chegar de surpresa...

Ele saiu, pegou o carro, um esportivo alemão, de apenas dois lugares, e foi para casa, sempre com pressa. Queria chegar logo e preparar o apartamento, enquanto a namorada ainda estava com a mãe, doente, como ele a viu combinar, na véspera, um pouco antes de dormirem. Abriu a porta de casa, deixou o buquê na cristaleira. Foi até a cozinha e conferiu os vinhos que tinha na adega. Verificou, também, a temperatura. Tudo ótimo! Vou abrir esse Bordeaux, hoje!

Foi tirando os sapatos e o cinto – o paletó já estava apoiado numa das cadeiras da mesa de jantar. Enquanto pegou algumas castanhas de caju, foi providenciar o vaso para deixar o buquê. Olhou vários, ficou em dúvida entre dois e, depois de pensar e repensar, percebeu que o melhor seria deixar tanto o anel quanto as flores pretensamente largados à mesa, para quando ela chegasse. – A Drica vai amar! Riu sozinho, ansioso.

Com a castanha de caju à mão, foi tomar um banho e até reclamou: 'Porra, a Drica sempre esquece a porra do ar condicionado ligado!' Quando abriu a porta, no entanto, viu que ela não tinha-se esquecido do ar condicionado. Ele estava ligado. Bem como ela, que também estava no quarto. Nua. Com a camisola fininha, quase transparente, que ele comprou para ela na semana passada – e que ela só não tinha usado porque era para uma “ocasião especial”. Essa seria a ocasião perfeita. Não estivesse, também, no quarto, o seu melhor amigo e sócio do escritório – que não tinha ido trabalhar aquele porque a mãe estava doente...