terça-feira, 29 de setembro de 2009

Olho as horas...


Olho as horas, apressadamente, na cabeceira: é cedo demais. Noite passada parecia que não ia acabar nunca! Tantos drinks, tantas horas... Agora, cedo, ainda não entendo a minha pressa. Não tenho motivo pra pressa. Mas estou ansioso.

Olho pra você e vejo o mesmo rosto que vi outro dia. No mesmo travesseiro. No meu travesseiro. Tento lembrar quando isso aconteceu outra vez... Faz tempo. Engraçado, foi gostoso. Adorava aquelas noites. Eu e meu grande amigo fazíamos nosso percurso tradicional. Quando faltávamos, éramos cobrados por José Linhares, por Rainha Guilhermina, por Dias Ferreira. Durante anos, foram noites e noites, um chope após o outro, uma após a outra... trocando as pernas, trocávamos de pernas. Tínhamos um sorriso razoável, um bom papo e uma enorme auto-confiança. Tínhamos sorte. E nenhum motivo pra mudar de vida...

Sinto, até, saudade. Foram bons, ótimos dias. Até hoje, rendem piadas, lembranças – nossas e de outros -, e muitas histórias, contadas nas mesmas mesas de bar, na maior parte das vezes, exageradas – nunca me esqueci daquela final da Liga Mundial!

Olho as horas, agora já sem pressa. Não tenho pressa. Já não quero o mesmo que queria ontem. Tenho o hoje. Te tenho hoje. Te quero hoje. Amassada no meu travesseiro, nem desconfia que, tão cedo, consigo ir tão longe. Penso alto. Você escuta, quase acorda. Mal abre os olhos, inchados e borrados, murmura palavras que não entendo. Mas sei que você quer que eu deixe os pensamentos de lado. Quer que eu volte pro seu lado. E sonhe com você. Eu também quero.

E esqueço as horas...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Nós




Nós
Amarrados, atados
Precisam ser fortes e resistentes
Justos e apertados
Pra unir coisas impensadas

Inexoráveis, nós
Um dia, foram finas fibras
De algodão,
Suave e leve
Frágil a qualquer brisa
Impensáveis, nós.

Unindo forças
Forças que tendem a desgarrar-se
Unem-se pelo imponderável
Por nós.

Não há, todavia, nós
Não nós que prendam forças que não se desejam
Nós que unam forças que se repelem
Forças que não se querem
Nós.

Eu preciso de mais
Demais
De nós.
Não dos que aprisionam.
Preciso de laços
Quero os que envolvem
Laços que abraçam

Não há sentido em nós.
Não há nós.
Não somos nós.

Somos sós
Eu
Preferia que não houvesse - você.

E que nunca houvesse nós.

No frio, quente





Estava frio, eu
e o sorriso, seu,
poesia
e a voz, sua,
magia
a boca, minha,
calaram
gritou
o coração, meu,
Calafrio.

Frio
Não o peito, meu,
não a boca, sua,
não o corpo, nosso,
que sua,
quente,
que sente,
sempre,
com você,
Calafrio.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O que eu não quero

"Palavras são erros
E os erros são seus...

Não quero lembrar
Que eu erro também"

Eu sei - Renato Russo



Tenho um texto que não quero escrever
Tenho palavras que não quero pensar
Tenho uma dor que não quero sentir
Tenho um amor que eu não quero perder.


Você.

sábado, 25 de julho de 2009

Inesquecível



Sem dúvidas, o Brasil e o mundo tiveram melhores. Pra mim, que passei a infância sem saber se queria ser craque na linha ou no gol (não consegui ser em nenhum dos dois), ele foi inesquecível. Sempre adorei o ímpeto, a energia e até o jeito meio atabalhoado que ele carregava no campo. Já fiquei muito bravo com poucas (minha memória, emocionada, tenta negar que tenham sido mais) falhas que ele possa ter cometido no gol do meu Flamengo.

Guardo, somente, as melhores. E os gritos de Zé Caaaaaarlos que eu ouvia do Galvão Bueno, fanático, a cada vôo impossível daquele goleiro de borracha. Foi o meu inesquecível Flamengo de 87 (embora eu fosse um fedelho, guardo as memórias gravadas e as imaginadas dos meus 6 anos de idade).

Um time histórico. Meu preferido. Que tinha, não o melhor, o mais querido goleiro que eu vi jogar. O Zé Caaaaaarlos.

Inesquecível.

Pra sempre.

* 07/02/62
+ 24/07/09

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Pra que servem os signos?!


Nunca fui supersticioso. Nunca fui Botafogo. Por isso, talvez, nunca acreditei em signos. Aliás, como bom virginiano que sou, não poderia acreditar numa coisa tão pouco lógica. ‘Quer chocolate ou biscoito?!’ ‘Humm... eu sou aquariana, logo, vou escolher o chocolate!’ ‘E aí, Tunico, bora pra praia?’ ‘Olha, se eu não fosse geminiano, até iria...’

Sei que as pessoas hão de discordar. Dirão que não é bem assim e que estou exagerando. Estou. Realmente, estou. E elas, não estão? Vocês vão concordar comigo...

Nada me irrita mais do que, ser interrompido numa conversa interessante - sobre qualquer coisa que seja - por alguma pergunta ou conclusão brilhante como, por exemplo, ‘você é de libra, não é?!’ Matematicamente, ela tem uma chance em doze. É considerável a probabilidade de errar, inclusive! Ela tem uma outra chance: a sua lua. Ainda mais se você não souber responder. Ela pode dizer: ‘Como assim?! Você nunca fez o seu mapa astral?! Você precisa saber a sua lua!’ Cacete, por que eu preciso saber a minha lua? Não sei e vivi bem até hoje, obrigado...

Sei quem eu sou. Sei do que eu gosto. Sei onde moro e sei que, mesmo bêbado, o meu tem dono! Não preciso saber qual é a minha lua. Nunca precisei. Aliás, eu só preciso saber do que eu quero saber. E qual é a minha lua, de fato, pouco me importa.

O curioso é que, por outro lado, as pessoas te acham um criminoso quando você, apoiado em idéias lógicas, diz que pouco se importa com signos. Algumas tentam te convencer da importância e não vêem quão ridículas podem ser: ‘a influência dos signos está em tudo: na Natureza, na sua alimentação, no seu humor, no seu rendimento profissional, na sua inspiração...’ Quando eu vejo que é papo perdido, até sorrio e finjo que concordo. Nada me irrita mais do que discussões irritantes com argumentos insuportáveis sobre estúpidos.

Um dia, entretanto, tudo isso mudou. Estava num bar, de madrugada, no fim de noite. Surgiu uma deusa pela portinhola que, naquele momento, foi elevada a portal. Pra minha sorte, ela conhecia o Augusto, que estava sentado comigo. Pra minha sorte, o Augusto sempre tentou – e nunca conseguiu – pegar a amiga da Vanessa. Nem conseguiria aquela noite. Tava na cara, aliás, que isso nunca aconteceria... Como ele pagava uns drinques pra ela, ela sempre gastava uma meia horinha com ele. Só pra garantir os próximos.

Sei que o papo começou superficial. Eu fiquei meio quieto, conversando com a mesa ao lado. Já tinha sido apresentado à Vanessa e não conseguia parar de pensar em como fazer com aquela mulher. Sabia que tinha que ser rápido porque a ampulheta do Augusto já tinha virado! Fingia que mal havia reparado nela. Quando passei a conversar com o pessoal da mesa - depois dos breves esclarecimentos de ‘a Vanessa é estagiária da Luca. Conheço (ou seja, quero comer) a Luca desde o colégio... Elas trabalham num escritório de design' - vieram papos sobre cinema, música, moda, trabalho... Eu estava empolgado, falando sobre qualquer coisa quando a Vanessa me interrompeu e lançou a clássica, nesse caso, surpreendente:

-Você é Leão, né?

Ao que respondi, de bate-pronto, com um trocadilho de péssimo tom: ‘Já começaram a fazer a minha propaganda, é?!’

- Não, bobo, o signo! Você é leão, né? Claro que não. Não sabia qual era a minha lua, mas nasci em setembro. Sei que sou virginiano. E ponto. Já é muito! Aliás, nem sabia em que mês teria que ter nascido pra ser leão. Mas, achei de bom tom dizer que sim, que era de Leão. Ela poderia ficar desapontada, afinal de contas... Confirmei. Ela se empolgou:

- Você é de julho ou agosto?

Ufa, pensei, pelo menos agora eu já sei os meses! ‘Sou de agosto.’ ‘Caramba, sabia que você era de Leão! Personalidade forte, imponente, conquistadora...’ Eu poderia esperar aquilo de qualquer mulher que eu já tinha conhecido. Jamais daquela. Mas adorei. Claramente, ela estava dando em cima de mim. Essas foram as primeiras deixas. Mais tarde, eu, um leão, peguei aquela taurina deliciosa. E rugi! Ela, urrou. Urrou e bufou. A noite toda. Realmente, eu fui um leão...

Dali em diante, o passo seguinte foi saber que signo significava o quê. Os elementos - terra, fogo, água e ar - vieram a seguir. Volta-e-meia, quando a bola quicava, eu soltava alguma – sempre com alvo certo: ‘Você é sagitariana, né?’ ‘Como você sabe?!’ ‘Não sei, acho que é porque você tem uma energia, um calor no gestual, quando fala, como movimenta o corpo...’ Quando eu já sabia o signo, adequava o meu à ocasião. Passei a ser um cara de aniversários itinerantes: a cada noite, poderia ter um novo signo. Ontem, era de áries. Anteontem, escorpião. Tem noite em que troco de signo mais de uma vez. Na maioria delas, troco de par, também.

O importante é que nunca imaginei como os signos poderiam ser importantes na vida de um homem como eu. Me enganei! Eram fundamentais. Hoje, digo, imprescindíveis! Se existem duas coisas que nunca mais podem me faltar à mesa são: um chopinho gelado e... astrologia. Nunca!

Ah, como eu gosto de ser virginiano... E como!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

999 amigos!




Pessoal,

Entrei no blog para fazer alguns ajustes e preparar um novo texto e levei um susto com o número de visitantes que vieram aqui: 999. Além de ser o inverso do número da Besta, 666, me trouxe uma enorme alegria por, em tão pouco tempo - o primeiro texto é do dia 25/05 -, ter conseguido a companhia de tanta gente.

Em nome do George Best, do Jack Nicholson, do Plínio, do Onofre, do Francisco Gump e de todos que ainda contribuirão com suas histórias, mais ou menos risíveis, neste espaço, queria agradecer a todos que leram, comentaram, virtual ou pessoalmente, pelo carinho que tiveram com comigo e com o blog, que é uma grande brincadeira. Prometo empenho e esmero para os próximos textos serem melhores e mais divertidos do que os já publicados!

Se eu fosse Roberto Carlos, agora, só faltariam 999 mil amigos...

Um beijo, orgulhoso,
Victor Gomide e grande elenco.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Quem bebe o que quer, ouve o que não quer!


Ele adorava contar histórias. Na verdade, não havia, no bairro, ninguém melhor do que ele. Algumas, sabíamos que eram verdade – eu, mesmo, testemunhei algumas, que ele contava, aí sim, com uns pontos a mais, mas vale o desconto... Quando ele chegava, juntava um monte porque era certeza de que iriam começar ‘As fábulas de Francisco’. De tão famoso pelas suas narrativas, fizemos um trocadilho com o seu sobrenome: de Gomes, passou a Gump. Com razão!

Ele era inigualável contando suas aventuras. Qualquer coisa que ele contasse parecia fantástica, arrancava risos freqüentes e, quando acabavam os aplausos, todo mundo pedia bis. O Francisco era fantástico. Mas tinha o ‘mais doce’ problema... A branquinha. Conforme a noite corria, multiplicavam-se os copos daquela cachaça mineira que o Seu Olavo, dono do nosso boteco, já deixava na mesa pra ele. E, invariavelmente, o baixinho Francisco saía alto. Beeeem alto do boteco. Como numa vez em que ele passou pela história que virou a lenda preferida de todo mundo – eu acredito que seja verdade!

Ele trabalhava com eventos. Vinha de quase duas semanas em que só parava de trabalhar para dormir (pouco) e comer. Em algumas noites, só cochilou. Numa sala que tinha um sofá lá no trabalho dele mesmo. Na quinta-feira em que o tal evento acabou, ele, já saudoso da boemia, partiu com tudo pro barzinho perto do escritório e, antes mesmo de se sentar à mesa, já tinha em mãos um copo e a branquinha. Foram logo algumas doses para ‘esquentar’ e ele já estava ficando à vontade. Foi quando percebeu, apoiada ao balcão, uma linda loura, de roupa curta e que não dava a menor atenção para todos os outros homens ao redor. Francisco se notou observado. Mais do que observado, sentiu-se caçado. Haveria de ser a sua noite de sorte!

Francisco sempre foi daqueles ‘corajosos’: “comigo, não tem tempo ruim”, cansava de dizer. Mas, nesse caso, coragem não seria necessária: a mulher era impressionante. E ninguém tirava os olhos dela. Ela impressionava mesmo. Era alta, tinha cabelos louros, pouco abaixo do ombro, largo, cintura fina, músculos firmes, pernas grossas e descobertas pela saia que só alcançava a metade da coxa. A blusinha, generosa, oferecia um belo horizonte para o mais novo crente do bar: “obrigado, Jesus!” – repetia Francisco.

Com um sinal sutil, a convidou para se sentar. Prontamente, aceito. Francisco se impressionava com a delicadeza e doçura com que era tratado por Joaquina. Gentil, ela o fazia elogios que Francisco chegava a pensar se faziam sentido – nunca ouvira que tinha lindos olhos (tinha um leve desvio no olho direito, que acompanhava mais o gato do que o peixe, normalmente, observado pelo esquerdo), que tinha (poucos e curtos) cabelos macios, cor de mel... Ele estava encantado. E se sabia invejado.

Logo, notou que, embora Joaquina já lhe fizesse companhia há mais de uma hora, os olhares dos outros homens continuavam a persegui-la. Não entendia por que razão aqueles ‘invejosos’ os olhavam, entre sussurros e piadas. Sentiu-se absolutamente incomodado: “não se respeita mais mulher acompanhada?!” Realmente, a postura era, no mínimo indelicada. Foi acalmado por ela até que, por sugestão dela, resolveram pagar a conta e ir-se embora, ficar mais à vontade.

Saíram do bar e foram para um ambiente em que pudessem ficar a sós, longe do alcance da ‘inveja’ dos infortunados. Francisco se impressionou com a altura e a rigidez das costas de Joaquina, enquanto andava com a mão contornando a sua cintura. “Não vou me esquecer nunca mais dessa noite!”, pensava. E tinha razão.

Quando já estava à porta do quarto, com a chave quase encaixando a chave na fechadura, o baque: “Francisco, você foi muito generoso e agradável comigo. Sua companhia fez a minha noite ser ótima.” Ele ficou até um pouco sem jeito, também estava encantado com ela e já pensava em convidá-la para um aniversário do Alan, do trabalho, na semana seguinte – “o pessoal não vai acreditar nesse lorão que eu arrumei!”. Deu-lhe um beijo no pescoço e encaixou a chave na porta. Joaquina, firme, segurou sua mão e, num tom grave, soltou algo que parecia entalado em sua garganta: “eu quero muito entrar nesse quarto com você, mas preciso te falar uma coisa. Eu sou como você.” Francisco tentou não entender. E Joaquina foi mais específica: “Quando eu nasci, eu era Joaquim...”

Nosso bravo Francisco, homem de palavra, manteve-se focado: “pois pra mim, hoje, você é a Joaquina...”

Ele estava certo. Quando nos contou, pela primeira vez, essa aventura, justificou com rara felicidade: “Meu amigo, eu tinha pago bebida, dado beijinho no pescoço e quase caído na porrada no meio do bar, entrei no motel com o traveco... Agora, quem iria acreditar que eu não comi?! Tá no inferno, abraça o capeta!”

Pois é, Francisco, quem bebe o que quer, ouve o que não quer!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Quem brinca com a merenda, acaba com fome


Onofre adorava trocadilhos. E se achava engraçado quando fazia um. Bastava passar da meia-noite – ele era um persistente boêmio – e começavam as piadinhas sobre ‘hoje – ou ontem?! Porque já é meia-noite e três...’ Em geral, só ele ria das suas piadinhas. Em geral, os parcos sorrisos que conseguia à mesa eram amarelados. Quando derrubavam uma bandeja, ele sempre soltava, de supetão: ‘acho que caiu um lenço!’ Ficou admirado quando ouviu uma outra alternativa e, por algum tempo, aguardou ansioso até poder soltá-la: ‘Não quebrou nada, só amassou!’ E ria, altivo.

As mulheres – todas – sofriam com ele. Além de chato, era insistente. Além de insistente, achava que era irresistível. Além de se achar irresistível, achava que todas as mulheres adoravam mesmo era fazer um doce com ele. Por horas! Noites inteiras! Não tinha muita sensibilidade para perceber o óbvio: era um mala!

Tinha um bom emprego e aproveitava da herança que os pais, que o tiveram em idade já avançada, haviam lhe deixado: um bom apartamento e uma ótima poupança na Caixa. Mas não conseguia aproveitar da companhia dos amigos. Por uma razão em especial: eles não existiam. Entretanto, ele sempre agia como se fossem, todos, íntimos. Tapinhas nas costas, ‘pescotapas’ (já quase tivemos uma briga quando ele veio com um desses pra cima de mim!), piadas sobre calvície com os carecas ‘O Aurélio é que nem piscina rasa: tem água, mas dá pra ver o fundo. Hahahaha!’. Como o Aurélio iria achar isso engraçado?! Ele, não hesitava e insistia: ‘Aurélio, daqui a pouco, se precisar. você pode pegar emprestado. É só jogar o cabelo de um lado pro outro. Ninguém nem vai reparar!’ Outra risada. Outra risada só dele.

Surpreendentemente, ele arrumou uma namorada. Até bonita. Até legal. Até uma santa. Ela era muito gentil, solícita e veio em boa hora: o fez sumir, pelo menos, umas três noites por semana, do bar. Era visível a diferença que a sua ausência causava quando ele não ia. E como as pessoas repetiam todas as suas piadas, recheadas de ironia e, muitas vezes, transbordando acidez. Quando passava uma sirene (pouco importava se fosse uma ambulância ou de um carro da polícia) e um já gritava, de um lado pro outro do bar: ‘Bê, abaixa aí: é a polícia!’ Todo mundo ria. Só o Onofre que não. Graças a Deus.

Ele, realmente, era muito chato. E inconveniente. Exultante por ter arrumado alguém que sorrisse depois de quatro minutos de papo – e muitos trocadilhos depois -, estava mais orgulhoso. E achava que aquele namoro comprovava sua tese de que ele era um eficiente galanteador. Seus recados em papéis rasgados, escritos com as canetas dos garçons nunca foram mais criativos do que: ‘Se você se machucou quando caiu do céu, deu sorte: eu sou médico. E, hoje, a consulta é grátis!’ Uma vez, viajava de férias – sozinho – e descobriu que havia um congresso de advogados no mesmo hotel em que estava hospedado. Esperou horas, sentado perto do barman, com uma frase infalível na cabeça: ‘Se o seu namorado faz direito, eu faço muito melhor!’ Usou essa várias vezes. Nenhuma deu certo. Será que ele não percebeu nada de errado com a estratégia?!

Mas a hora dele chegou. Quando o Juninho, um grande amigo nosso, anunciou que se casaria com a Adriana, o Onofre não resistiu: ‘Aê, Juninho, comeu a merenda antes do recreio, foi?! Hahaha!’. Mais uma vez, riu sozinho. O Juninho, um lorde, nem olhou pro idiota. Meses depois, o Onofre apareceu triste, cabisbaixo. Quase dava pena. Quase. Daria se ele não fosse o Onofre. Minutos – e nenhum trocadilho – depois, descobrimos a razão: Júlia, a Santa, o trcou por outro.

Alguns minutos depois, o Juninho chegou. Logo, soube da notícia, entre papos ao pé do ouvido cheios de piadas impiedosas. Não se agüentou e se levantou da mesa em que estava com a já esposa Adriana, e falou bem alto: ‘E aí, Onofre, que que houve?! Comeram a tua merenda?!’ O bar inteiro riu. Menos o Onofre. Foi o último trocadilho da vida do Onofre. Pelo menos, no nosso bar. Onofre nunca mais voltou. Penduramos um quadro do Juninho. Emoldurado. E com uma merenda.

sábado, 20 de junho de 2009

Tantas você fez


Plínio sempre foi o melhor. Desde o colégio, nunca foi o mais bonito. Nunca ninguém fez mais sucesso do que ele. O melhor no futebol. No pingue-pongue. No vôlei, não tinha pra ninguém! Entrou pra universidade e imediatamente se destacou. Trazia consigo, uma aura vencedora. Já no trote, os veteranos tentavam desmoralizá-lo, meio que antevendo um grande concorrente. Sempre se davam mal. Das calouras às veteranas, todas se preocupavam com ele. E ele, óbvio, adorava.

Chegou ao mercado de trabalho. Não poderia ser diferente. Rapidamente, ascendeu na empresa e, em menos de 4 anos, estava prestes a ser promovido a diretor. Era um fenômeno, também, profissionalmente. Era casado, 31 anos, uma filhinha linda de quase dois anos, tinha tudo. E todas!

Não era segredo que a empresa inteira o invejava. As mulheres o desejavam. E provocavam. E ele, óbvio, adorava. Saiu algumas vezes com a Marcinha, uma ruiva fogosa e espetacular. Pegou, também, aquela moreninha baixinha, das coxas de bailarina. Delícia! Todas que ele quis, ele conseguiu. A Rafa, a Lúcia, a Clau... As melhores, as médias e, eventualmente, algumas nem tão boas assim: realmente, ele era um profissional!

Não era segredo que ele era insaciável. Depois de cada conquista, surgiam as novas apostas: quem será a próxima?! ‘Acho que vai ser aquela magrinha da supervisão.’ ‘Sei não, eu o vi puxando um papo com a assistente do Juarez...’ ‘Vocês não têm noção de como a Flavia ta em cima dele... – disse o Aluísio, que trabalha na sala ao lado da de Plínio – hoje, até biscoitinhos ela levou pra ele, na hora do café. Eu vi tudo!’ E ele, óbvio, adorava.

O problema é que todo mundo sabia. Inclusive a mulher dele. Por muitos anos, ela o esperou em casa, com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão. Um dia, entretanto, até o perdão cansou-se de perdoar. Quando chegou em casa, encontrou duas malas e um recado: ‘Troquei a fechadura. Hoje, você não entra!’ Ele entendeu o recado. E ele, óbvio, não adorou. Ligou pra Lúcia e passou a noite com ela, esfuziante – ela.

No dia seguinte, flores, chocolates, bichinhos de pelúcia, o CD do Vinicius (não poderia ser de ninguém mais). Ela recebeu tudo e fechou a porta. Com ele do lado de fora. Ele compreendeu. E por dias, tentou. Ela o amava. E sabia que o aceitaria de volta. E também sabia que ele voltaria a abusar da regra três... Ele estava realmente disposto a mudar. Queria ser só dela! Estava cansado da poligamia. Enquanto não voltava pra casa, passava algumas noites com a Lúcia, outras com a Clau. As últimas, com o único amigo fiel, o Thiago.

Pra seu azar, assim que a sua mulher o aceitou de volta e tudo caminhava pruma direção que o relacionamento nunca tivera, a monogamia – pelo menos do lado dele -, a vice-presidente financeira, o tesão da Alice, terminou um casamento que, todos sabiam, era uma porcaria. Há anos, o marido dela já não tinha a menor paciência pra ela, brigavam freqüentemente, ele já não comparecia com freqüência – inclusive às festas e celebrações da companhia. Ela estava carente. E ela achava que o Plínio poderia resolver sua... carência. O Plínio, como bom investidor, já havia feito suas sondagens, ainda sem sucesso.

Agora, ela vinha com tudo pra cima dele. Logo agora! Inebriado pelo desejo, com a consciência pesada (pela primeira vez na vida!), ele evitava até o limite das forças. Volta-e-meia, ela ligava, sedutora e o deixava duro na cadeira. Vez por outra, o chamava à sua sala, com os mais picantes decotes – e fazia questão de deixá-los o mais à mostra que fosse possível dentro daqueles tailleurs que a deixavam ainda mais fabulosa. Ela era foda! E ele, é óbvio, adorava. Mas, aos trancos e barrancos, naquele momento, se segurava. Como podia. No sexo, eventualmente, fechava os olhos e, por alguns instantes, era a chefe que estava ali...

O assédio aumentou. A repercussão também. Todo mundo acompanhava seus movimentos, sabendo que, alguma hora, ele não agüentaria. Só queriam saber quando seria. Estava cada vez mais perto, disso, todos sabiam. Inclusive ele. Heroicamente, entretanto, ele conseguiu resistir até o fim. Até o seu fim.

Os rumores começavam a afetar a imagem dele. Da Alice, também. Tomada pelo desejo, pelo recalque e pelo desespero, o chamou para uma última cartada: mandou um e-mail o convocando para uma reunião, depois do expediente, num barzinho próximo ao trabalho. Ele sabia que o encontro seria mortal. Mais complicado, inclusive, com sua primeira morte, quando disse ‘SIM’ no altar, quatro anos antes. Ali, ainda não tinha noção do que o esperava.

Resignado, foi ao encontro. E ela, mais ainda, foi com tudo pra cima. Não agüentava tanta resistência. O provocava com palavras, olhares, carinhos. Ele estava quase entregue. Quando ela jogou-se contra seu pescoço, apertou seu peitoral, ele pulou do banco e falou: ‘Não posso, sou viado!’ Incrédula, ela ainda o ouviu, sem entender nada: ‘Quer dizer, ESTOU viado!’

No dia seguinte, perdeu seu emprego. A alegação da diretoria– e patrocinada por Alice – era que não poderiam promover um homem que expunha tanto diante de toda a empresa, sua vida particular. Realmente, naquelas semanas, seu rendimento e concentração haviam caído vertiginosamente. Quando a mulher o viu chegar em casa, com uma bolsa cheia de seus pertences pessoais do trabalho, não conseguiu aceitar que ele fora demitido por NÃO comer a gostosa da Alice – até ela, anos depois me confessaria, já a havia desejado, mas não encontrou meios de convidar Plínio para o ménage. O problema foi que, além de não aceitar mais uma mentira dele, foi o estopim para o fim do casamento.

Resumo da história: seja dono do seu negócio, porque chefe é uma merda! Mesmo quando você faz a coisa certa, sempre arruma um jeito de te fuder! Vá com Deus, Plínio... Já, já, você arruma outra.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Um amor mal-entendido


Acho que nem acordei hoje. Não acordei porque quase não dormi. Fez frio ontem. Senti frio ontem. Senti a sua falta. Senti medo. Me acostumei a dormir mal, mas com você nos meus braços. A sua ausência me dói demais. Insuportável.

Faz poucas semanas que te perdi, mas cada dia tem 24 infinitas horas. E cada hora dura 60 intermináveis minutos. Tento dormir pro tempo passar mais rápido. Tento sair, pra não te ver, na minha cabeceira, sorrindo. Linda. Tento olhar pra nada pra não fechar os olhos e chorar. Por que você se foi? Por que não está mais aqui, apertando o meu peito no sofá? Alegre como crianças de comerciais de margarina quando eu chego com o café da manhã na cama. Por que o seu sorriso some quando você pensa em mim? Por que eu te perdi?

...

Você não faz idéia da falta que me faz. Que saudade da sua barba mal feita. Do seu peito, magro, mas gostoso de descansar. Como eu adoro o seu cafuné! Como eu adoro o seu carinho, sua preocupação comigo! Que delícia eram as suas surpresas. Acordar com tantos beijos, com um café da manhã caprichado na cama. Ou levantar e abrir o armário e encontrar flores que, como você, acordaram cedo pra não me acordar nem me permitir desconfiar. Como você foi importante pra mim!
Preciso de você. Amo você. Não consigo ficar afastada de você. Não sei o que eu faço. A confiança se quebrou. Não consigo mais olhar pra você e ver a mesma pessoa. Por que você fez isso?

...

Meu amor, por que você não me dá uma chance? Por que você não me explica por que eu te perdi? O que foi que eu fiz de errado? Te protegi demais? Não te deixei ter seu espaço? Fiz todas as suas vontades? Eu posso ser menos intenso! Posso te cobrar menos. Posso ser menos eu. Aliás, não sei mais o que sou eu. Eu passo por você. E, sem você, não sei por onde começar essa resposta. Me diz alguma coisa! Preciso de você

...

Você nunca poderia ter feito isso comigo! Meu coração foi rasgado por aquela ligação... Cada uma das palavras ecoava no seu ouvido. Por mais que não conseguisse acreditar, ela tinha sido agredida com aquela revelação. Não sabia nem podia voltar atrás! Como ele fez isso comigo?!

...

Ele beirava o desespero. Nunca havia amado tanto na vida. Nunca tivera alguém como ela. Nada lhe importava mais do que cada momento que viveram juntos – e que ele desejava que vivessem de novo! Nunca a trocaria por ninguém!

...

“Estou tendo um caso com o seu marido... TIC” Foi isso que ela ouviu, antes de a ligação ser interrompida. O mundo parou. Seu mundo caiu. Ela caiu. Chorou desesperada. Tentou ouvir mais. Gritou! “Essa desgraçada nem me deixou falar!”

...

Do outro lado, a mulher congelou: “Merda, isso é um nove ou um quatro?!”

terça-feira, 16 de junho de 2009

Saudade de sentir saudade


“Você tem exatamente
Três mil horas
Pra parar de me beijar
Meu bem, você tem tudo
Tudo pra me conquistar”

Por que a gente é assim? - Cazuza e Barão

Isso nunca me aconteceu antes. Nunca amei ninguém à primeira vista. Já, sim, odiei à primeira vista. Com ela, tudo é diferente. E, agora, amo. Agora já são 10 dias. E cada dia, mais...

Sempre fui daqueles que gostam de tudo o tempo todo. Intensidade. Sempre! Gosto de curtir tudo até o fim. Tomo meu refrigerante até o canudo fazer barulho. Raspo o prato da sobremesa – não poderia deixar sobrar tanta calda de chocolate. Nada me faz sair do Maracanã no meio de um jogo. Nem nas mais dolorosas goleadas que vi o Flamengo levar.

Agora, com ela, sinto essa mesma vontade. Quero tudo, sempre. Há semanas, reclamava a falta que me fazia amar. Reclamava a falta que me fazia alguém. Sabia que ela me fazia falta – só não a conhecia, ainda. Sentia falta de alguém para falar: ‘esse aqui é meu coração, toma.’

Há 10 dias, voltei a sonhar. Voltei a adorar. Adoro a pessoa que sou com ela. Adoro a pessoa que sou por causa dela. Voltei a procurar flores. ‘Separa aquele vasinho com mais botões fechados, por favor’. ‘Amor, tem que regar de dois em dois dias.’ Adoro planejar a surpresa de amanhã. Adoro imaginar o sorriso dela quando receber a surpresa de amanhã. Adoro sentir saudade, mesmo quando ainda estou com ela, chegando em casa. Adoro, depois de passarmos o dia inteiro juntos, esperar ela me ligar dizendo: ‘cheguei, to indo dormir, mas não quero desligar’... Adoro amar.

Há 10 dias, penso nisso e me percebi amando de novo. E planejando... ‘Vamos passar um fim de semana num lugar frio?’ ‘E se fôssemos prum lugar quente?’ ‘Tô com um vinho gostoso aqui em casa, quer?’ ‘Vamos jantar fora amanhã?’

Há 10 dias, nos vemos todos os dias. E nos falamos o dia inteiro. E nos despedimos de noite. Ou acordamos durante a noite toda, mudando de um lado pro outro, - já tinha me esquecido como é gostoso o desconforto de dormir com quem se ama. E como eu sentia falta disso!

Hoje, não conseguimos nos encontrar. Hoje, ela foi embora. Viajou. Vai ficar fora. 10 dias. 10 dias. Muito tempo. Muito tempo pra quem precisa dela todos os dias. Muito tempo pra quem não consegue ficar sem ela há 10 dias. Muito tempo pra mim. Que seja muito tempo pra ela.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Ao amor - e aos apaixonados



Pego emprestadas palavras já muito repetidas nas rádios, de uma música que todos já devem ter ouvido uma vez, para não deixar passar esse dia tão gostoso...

We'll crucify the insincere tonight
We'll make things right, we'll feel it all tonight
We'll find a way to offer up the night tonight
The indescribable moments of your life tonight
The impossible is possible tonight
Believe in me as I believe in you...
Tonight

Tonight, Tonight – Smashing Pumpkins

Acho que não cabem mais palavras. Parabéns a todos que não estarão sozinhos hoje. E cujos corações não passarão frio essa noite...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Para os românticos, a surpresa


Ele comemorava – estava apaixonado de novo! Havia muito, ele torcia pela visita da fadinha encantada que, com seu pozinho mágico, o escolhesse para ser o próximo a viajar no mágico trem do amor – calma, gente, não é suruba! Ele era um cara rígido, um pouco travado em relação a sentimentos e sabia que tinha perdido algumas preciosas oportunidades de se apaixonar por erros estúpidos, maus julgamentos e fraquejos típicos de quando se pode lançar ao amor e recuar para o conforto da vida cinza – e sem graça.

O relacionamento engatava e, apesar de já terem se passado quase 5 meses desde que começaram a namorar, agora o sentimento o dominava de sobremaneira. Naquela tarde, ele já tinha tudo planejado. Na véspera, tratou de adiantar vários compromissos com a secretária. Encontros com fornecedores já tinham sido resolvidos na semana anterior. Todas as reuniões burocráticas foram pela manhã. A secretária, também, havia comprado o anel que daria de presente para a razão de tantos sorrisos bobos e de tão pouco foco no trabalho, cada vez mais tedioso.

Os minutos demoravam demais a passar quando usava aquele terno alinhado e caro. Voavam quando só usava os lençóis e o colo dela como roupa. Desde que se percebeu envolto pelas nuvens da paixão, sua testosterona perdeu o saco para o trabalho, mas aumentou o tesão pela vida mundana, coisa que, há muito, ele já não tinha: todos sabiam de sua fixação por trabalho e como vibrava quando conseguia o que queria – o que era absolutamente freqüente. Mas, aquela baixinha estava virando a sua cabeça do avesso.

Naquela semana, ele chegou a ligar para o banco, a cotar o valor das suas inúmeras ações: queria, pela primeira vez, fazer algo de impulso! Pensou numa viagem pela Europa. – Não, muito óbvio! Cogitou um safari na África, - Quem sabe, mergulhar com os tubarões?!. Lembrou que a Adriana ficava enjoada em alto mar. Fato é que estava prestes a abandonar o barco que comandava, com pulso firme e sem nenhuma tolerância, há 7 anos. Realmente, estava um saco aquilo.

Saiu do trabalho às quatro da tarde. Pegou o anel de brilhantes com a secretária, que, mulher sábia, havia também comprado um lindo arranjo de flores: ‘não leve rosas, Rubens, todo mundo dá rosas!’ Outra coisa, ainda mais sábia, que ela pensou, mas não falou, foi: esse negócio de chegar de surpresa...

Ele saiu, pegou o carro, um esportivo alemão, de apenas dois lugares, e foi para casa, sempre com pressa. Queria chegar logo e preparar o apartamento, enquanto a namorada ainda estava com a mãe, doente, como ele a viu combinar, na véspera, um pouco antes de dormirem. Abriu a porta de casa, deixou o buquê na cristaleira. Foi até a cozinha e conferiu os vinhos que tinha na adega. Verificou, também, a temperatura. Tudo ótimo! Vou abrir esse Bordeaux, hoje!

Foi tirando os sapatos e o cinto – o paletó já estava apoiado numa das cadeiras da mesa de jantar. Enquanto pegou algumas castanhas de caju, foi providenciar o vaso para deixar o buquê. Olhou vários, ficou em dúvida entre dois e, depois de pensar e repensar, percebeu que o melhor seria deixar tanto o anel quanto as flores pretensamente largados à mesa, para quando ela chegasse. – A Drica vai amar! Riu sozinho, ansioso.

Com a castanha de caju à mão, foi tomar um banho e até reclamou: 'Porra, a Drica sempre esquece a porra do ar condicionado ligado!' Quando abriu a porta, no entanto, viu que ela não tinha-se esquecido do ar condicionado. Ele estava ligado. Bem como ela, que também estava no quarto. Nua. Com a camisola fininha, quase transparente, que ele comprou para ela na semana passada – e que ela só não tinha usado porque era para uma “ocasião especial”. Essa seria a ocasião perfeita. Não estivesse, também, no quarto, o seu melhor amigo e sócio do escritório – que não tinha ido trabalhar aquele porque a mãe estava doente...

domingo, 31 de maio de 2009

Os sabores do amor


Tivemos uma longa e boa noite juntos. Eu e minha namorada. Primeiro, jantamos num restaurante oriental, de ambiente agradável e comide espetacular, bem temperada, harmonizada e com um aroma apaixonante. Foi, definitivamente, um jantar romântico. Estávamos comemorando. Não era aniversário dela. Nem meu. Nem de namoro. Também não era dia dos namorados. Comemorávamos nosso amor. somos loucos, um pelo outro. Completamente apaixonados. E lá se vão quase dois anos de namoro. Consideramos, por sermos daqueles que amam a conquista, cada dia desde que nos conhecemos. Todos eles contam por terem sido, todos eles, parte da nossa paixão.

Depois do jantar, animados e apaixonados, fomos a um barzinho, encontrar um casal de amigos. Algumas garrafas de vinho e muitos beijos e eu te amos depois, voltamos pra casa. Hoje, dormimos na dela. Já eram 3h da manhã e queriamos muito ficar juntos e continuar a nossa noite perfeita e romântica.

No quarto, ligamos um Coldplay baixinho e nos amamos. Nos amamos com fome. Beijos deliciosos. Apertados. Apertados ficamos. Dançamos a nossa dança. Na cama. Nos livramos dos lençóis. Nos amamos com uma paixão que fazia o ar condicionado passar despercebido no quarto. Queimávamos. Depois dessa noite inesquecível, esperamos o sol amanhecer. Na rede. Na varanda. Apertados. Mais beijos. Carinhos no cabelo dela, quase dormindo, cansada, com aquele risinho com os olhos quase fechados que revelavam a indisfarçável satisfação de mais uma noite inesquecível de amor.

O sol saiu, apreciamos as melhores cores do céu: laranjas, vermelhos roxos, cores fortes. Eram da cor daquele momento. Voltamos pra cama. Não queríamos mais nada. Só dormir e dormir um mesmo sono. Um mesmo sonho. Juntos. Apertados.

Acordamos tarde. Já sentindo os efeitos das garrafas de vinho tentando circular pelas veias. Realmente, elas são grandes demais pra circular por veias tão finas sem que causem incômodo. Causariam se não fôssemos quem somos. Eu e ela. Nós. Somos porque nos temos. E nos amamos. E não há nada mais gostoso do que tê-la. E do que ser dela. Por isso, rimos da dor de cabeça. Do estômago virando do avesso. Com a maquiagem borrada, os cabelos enrolados, tiro alguns fios do rosto dela antes de dar o primeiro beijo. A resposta é um som que vem junto com um sorriso e uma espreuiçada. Uma delícia. Se eu pudesse sonhar e inventar uma reação mais perfeita, não conseguiria.

Devagar, começamos a tomar café e a pensar nosso dia. Íamos almoçar fora. Chegamos a combinar o restaurante que seria: o nosso preferido. O que tem o prato preferido dela. Ela não se atreve a, jamais, mudar a escolha. O maître já sabe, quando ela chega e, ele mesmo, prepara. É um chamego pra ela. Ela causa essa reação nas pessoas: todos também a amam. Ela também ama a todos. Mais a mim. Nesse mesmo clima, lemos o jornal, eu pego meu livro, ela está apoiada no meu peito.

O telefone toca. É o meu melhor amigo. MERDA! Desligo o telefone, afasto ela do meu peito, meio sem jeito. MERDA! Olho nos olhos dela - Sou louco por essa mulher! Como eu a amo!- e falo: "Amor, não vamos poder almoçar juntos hoje." Ela, assustada porque eu desliguei o telefone e o clima já não é mais o mesmo pergunta, preocupada: "aconteceu alguma coisa? A mãe dele tá bem?!" Não aconteceu nada. Tá tudo bem. A mãe dele, inclusive, saiu do hospital. "Não, Meu Amor, tá tudo bem, sim!" Sorrio. "É que tem jogo do Flamengo hoje. E o Adriano vai jogar. Vou com o pessoal."

Nem preciso falar que tudo que tinha sido construído, desenhado por nós durante toda a noite foi, imediatamente apagado da memória dela. Nessas horas que eu falo: mulher é foda! Se elas sabem que todo homem gosta de ver a porra do jogo de futebol, porque não nos deixam ir pro Maracanã em paz?!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sobre amigos e amores

Desta vez, o tema é espinhoso, não menos saboroso. A relação homem-mulher, sem frescura. E usando o ponto de vista masculino. Sem reservas, afinal, sou homem. Por favor, não tragam Martha Medeiros ao debate!

Um amigo do meu pai, espirituoso - e heterossexual -, gostava de repetir uma frase:

“HOMEM GOSTA DE HOMEM! DE MULHER, ELE PRECISA.”

Passado o choque imediato, ele seguia com sua justificativa: homem gosta de conversar com homem, de Ir à praia com homem, de tomar cerveja com homem, de falar de futebol com homem e, presume-se, de falar de mulher com homem. Não importa até que ponto ele explore a amizade e a intimidade com o amigo: alguns contam em poesia o primeiro encontro com o amor da vida, mesmo que esse amor já-se tenha ido embora e desperte, neste instante, uma melancolia da dor incurada. Outros gostam de bradar aos sete ventos como fizeram, aconteceram, descrever cada vogal do gem-I-I-I-do dela.

Não importa a forma, somos homens. E, nesta condição, repetimos alguns comportamentos. Alguns deles, concordaremos, machistas. Outros, nem tanto. Mas, em se tratando de machismo, peço a luz de um grande homem, iluminado – perdoe-me o trocadilho que logo se fará compreendido, Kubrick. Certa vez, o consagrado ator, notório por não gostar de relacionamentos e, em detrimento deles, escolher sempre as companhias para as quais serve o Mastercard, soltou a seguinte frase:

“Mas eu não pago pra transar; pago pra ela ir embora!”

O gênio em questão é Jack Nicholson. A intimidade forçada ou forçosa que se segue logo após o gozo costuma criar situações embaraçosas. Derruba possíveis amores perfeitos. Antecipa desfechos de relacionamentos que não mais acontecerão. Jack Nicholson eliminou esse sentimento. Resolveu que não ligaria no dia seguinte. Sem máscaras ou falsos moralismos. Talvez no caso dele, as mulheres também estivessem esperando pela hora de “ir embora”. Provavelmente, estavam.

Agora, falando das mulheres, as amo. Todas. Existem horas em que, todos, desejamos ter um controle remoto com a tecla “MUTE” ao alcance das mãos. Mas, não há nada como a graça da conquista. A troca de olhares. Os testes do jogo. As concessões da batalha naval. O peso de cada passo. O medo do vacilo e de perder todas as peças do tabuleiro num erro bobo...

A verdade é que a sorte de sentimentos que vocês nos causam, os calafrios, o coração saltando pela boca, a saudade que sentimos quando vemos que só nos restam ‘40 minutos até irmos embora’, a angústia de esperarmos mais 10 minutos pra ligar sem dar pinta de que estamos contando os minutos há horas... É por isso que adoramos nossos amigos. Porque, vocês, nós amamos. E são os nossos amigos escutam as nossas melhores e piores histórias, a poesia e a putaria. Poesia e putaria que, sem vocês, não existiriam. E não teriam a mesma graça.

Pra vocês, um beijo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um brinde ao melhor!


Houve um dia, um sábio. Não é dos remotos tempos. Habitou nosso Planeta já no século XX. Não era político. Não era artista. Não era filósofo. Mas era brilhante.

Nasceu na Europa, não na Alemanha, maior berço dos gênios. Nem na França, dos maiores pensadores. Nem na Itália, dos maiores imperadores. Nasceu na acanhada e chuvosa Belfast, semi-independente parte integrante da Grã-Bretanha. Não foi o maior. Foi o melhor. Seu nome já dizia: George Best.

Foi o melhor jogador de futebol da Irlanda. Não foi Pelé. Mas, se com a bola nos pés, Pelé foi o gênio incomparável, com as palavras, não se podia comparar ao melhor, George Best. Certa vez, ao fim da vida, o beberrão - já doente - usou de sua sabedoria para uma das maiores frases já proferidas por aqueles que viveram e souberam viver:

"Gastei quase todo meu dinheiro com mulheres, bebidas e carros. O resto, eu desperdicei!"

Só para finalizar, com uma informação que não poderia estar ausente nesta primeira homenagem aos grande homens, pensadores, humanistas: George Best morreu aos 59 anos, de falência múltipla causada por uma cirrose em seu segundo fígado - sim, ele já havia passado por um transplante de fígado justamente por causa de outra cirrose, no original.

A George, o melhor!