
Nunca fui supersticioso. Nunca fui Botafogo. Por isso, talvez, nunca acreditei em signos. Aliás, como bom virginiano que sou, não poderia acreditar numa coisa tão pouco lógica. ‘Quer chocolate ou biscoito?!’ ‘Humm... eu sou aquariana, logo, vou escolher o chocolate!’ ‘E aí, Tunico, bora pra praia?’ ‘Olha, se eu não fosse geminiano, até iria...’
Sei que as pessoas hão de discordar. Dirão que não é bem assim e que estou exagerando. Estou. Realmente, estou. E elas, não estão? Vocês vão concordar comigo...
Nada me irrita mais do que, ser interrompido numa conversa interessante - sobre qualquer coisa que seja - por alguma pergunta ou conclusão brilhante como, por exemplo, ‘você é de libra, não é?!’ Matematicamente, ela tem uma chance em doze. É considerável a probabilidade de errar, inclusive! Ela tem uma outra chance: a sua lua. Ainda mais se você não souber responder. Ela pode dizer: ‘Como assim?! Você nunca fez o seu mapa astral?! Você precisa saber a sua lua!’ Cacete, por que eu preciso saber a minha lua? Não sei e vivi bem até hoje, obrigado...
Sei quem eu sou. Sei do que eu gosto. Sei onde moro e sei que, mesmo bêbado, o meu tem dono! Não preciso saber qual é a minha lua. Nunca precisei. Aliás, eu só preciso saber do que eu quero saber. E qual é a minha lua, de fato, pouco me importa.
O curioso é que, por outro lado, as pessoas te acham um criminoso quando você, apoiado em idéias lógicas, diz que pouco se importa com signos. Algumas tentam te convencer da importância e não vêem quão ridículas podem ser: ‘a influência dos signos está em tudo: na Natureza, na sua alimentação, no seu humor, no seu rendimento profissional, na sua inspiração...’ Quando eu vejo que é papo perdido, até sorrio e finjo que concordo. Nada me irrita mais do que discussões irritantes com argumentos insuportáveis sobre estúpidos.
Um dia, entretanto, tudo isso mudou. Estava num bar, de madrugada, no fim de noite. Surgiu uma deusa pela portinhola que, naquele momento, foi elevada a portal. Pra minha sorte, ela conhecia o Augusto, que estava sentado comigo. Pra minha sorte, o Augusto sempre tentou – e nunca conseguiu – pegar a amiga da Vanessa. Nem conseguiria aquela noite. Tava na cara, aliás, que isso nunca aconteceria... Como ele pagava uns drinques pra ela, ela sempre gastava uma meia horinha com ele. Só pra garantir os próximos.
Sei que o papo começou superficial. Eu fiquei meio quieto, conversando com a mesa ao lado. Já tinha sido apresentado à Vanessa e não conseguia parar de pensar em como fazer com aquela mulher. Sabia que tinha que ser rápido porque a ampulheta do Augusto já tinha virado! Fingia que mal havia reparado nela. Quando passei a conversar com o pessoal da mesa - depois dos breves esclarecimentos de ‘a Vanessa é estagiária da Luca. Conheço (ou seja, quero comer) a Luca desde o colégio... Elas trabalham num escritório de design' - vieram papos sobre cinema, música, moda, trabalho... Eu estava empolgado, falando sobre qualquer coisa quando a Vanessa me interrompeu e lançou a clássica, nesse caso, surpreendente:
-Você é Leão, né?
Ao que respondi, de bate-pronto, com um trocadilho de péssimo tom: ‘Já começaram a fazer a minha propaganda, é?!’
- Não, bobo, o signo! Você é leão, né? Claro que não. Não sabia qual era a minha lua, mas nasci em setembro. Sei que sou virginiano. E ponto. Já é muito! Aliás, nem sabia em que mês teria que ter nascido pra ser leão. Mas, achei de bom tom dizer que sim, que era de Leão. Ela poderia ficar desapontada, afinal de contas... Confirmei. Ela se empolgou:
- Você é de julho ou agosto?
Ufa, pensei, pelo menos agora eu já sei os meses! ‘Sou de agosto.’ ‘Caramba, sabia que você era de Leão! Personalidade forte, imponente, conquistadora...’ Eu poderia esperar aquilo de qualquer mulher que eu já tinha conhecido. Jamais daquela. Mas adorei. Claramente, ela estava dando em cima de mim. Essas foram as primeiras deixas. Mais tarde, eu, um leão, peguei aquela taurina deliciosa. E rugi! Ela, urrou. Urrou e bufou. A noite toda. Realmente, eu fui um leão...
Dali em diante, o passo seguinte foi saber que signo significava o quê. Os elementos - terra, fogo, água e ar - vieram a seguir. Volta-e-meia, quando a bola quicava, eu soltava alguma – sempre com alvo certo: ‘Você é sagitariana, né?’ ‘Como você sabe?!’ ‘Não sei, acho que é porque você tem uma energia, um calor no gestual, quando fala, como movimenta o corpo...’ Quando eu já sabia o signo, adequava o meu à ocasião. Passei a ser um cara de aniversários itinerantes: a cada noite, poderia ter um novo signo. Ontem, era de áries. Anteontem, escorpião. Tem noite em que troco de signo mais de uma vez. Na maioria delas, troco de par, também.
O importante é que nunca imaginei como os signos poderiam ser importantes na vida de um homem como eu. Me enganei! Eram fundamentais. Hoje, digo, imprescindíveis! Se existem duas coisas que nunca mais podem me faltar à mesa são: um chopinho gelado e... astrologia. Nunca!
Ah, como eu gosto de ser virginiano... E como!








Isso é que é propaganda! Parabéns pela escrita!!
ResponderExcluirabs
Galalau
pensamentos irônicos, bem formulados e precisamente desenhados de um típico virginiano enrustido...
ResponderExcluirExcelente!!!
ResponderExcluirAgora vc já pode virar botafoguense, heim...
ResponderExcluirgente oque é os signos eu nao entendo so tenho 11 anos vcs entendem pq vcs aao mais velhos eu sou novo alguem min explica adiciona meu msn:rafaelsempre@live.com e esse hemeil é meu okut e fece tambem
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