
Ele comemorava – estava apaixonado de novo! Havia muito, ele torcia pela visita da fadinha encantada que, com seu pozinho mágico, o escolhesse para ser o próximo a viajar no mágico trem do amor – calma, gente, não é suruba! Ele era um cara rígido, um pouco travado em relação a sentimentos e sabia que tinha perdido algumas preciosas oportunidades de se apaixonar por erros estúpidos, maus julgamentos e fraquejos típicos de quando se pode lançar ao amor e recuar para o conforto da vida cinza – e sem graça.
O relacionamento engatava e, apesar de já terem se passado quase 5 meses desde que começaram a namorar, agora o sentimento o dominava de sobremaneira. Naquela tarde, ele já tinha tudo planejado. Na véspera, tratou de adiantar vários compromissos com a secretária. Encontros com fornecedores já tinham sido resolvidos na semana anterior. Todas as reuniões burocráticas foram pela manhã. A secretária, também, havia comprado o anel que daria de presente para a razão de tantos sorrisos bobos e de tão pouco foco no trabalho, cada vez mais tedioso.
Os minutos demoravam demais a passar quando usava aquele terno alinhado e caro. Voavam quando só usava os lençóis e o colo dela como roupa. Desde que se percebeu envolto pelas nuvens da paixão, sua testosterona perdeu o saco para o trabalho, mas aumentou o tesão pela vida mundana, coisa que, há muito, ele já não tinha: todos sabiam de sua fixação por trabalho e como vibrava quando conseguia o que queria – o que era absolutamente freqüente. Mas, aquela baixinha estava virando a sua cabeça do avesso.
Naquela semana, ele chegou a ligar para o banco, a cotar o valor das suas inúmeras ações: queria, pela primeira vez, fazer algo de impulso! Pensou numa viagem pela Europa. – Não, muito óbvio! Cogitou um safari na África, - Quem sabe, mergulhar com os tubarões?!. Lembrou que a Adriana ficava enjoada em alto mar. Fato é que estava prestes a abandonar o barco que comandava, com pulso firme e sem nenhuma tolerância, há 7 anos. Realmente, estava um saco aquilo.
Saiu do trabalho às quatro da tarde. Pegou o anel de brilhantes com a secretária, que, mulher sábia, havia também comprado um lindo arranjo de flores: ‘não leve rosas, Rubens, todo mundo dá rosas!’ Outra coisa, ainda mais sábia, que ela pensou, mas não falou, foi: esse negócio de chegar de surpresa...
Ele saiu, pegou o carro, um esportivo alemão, de apenas dois lugares, e foi para casa, sempre com pressa. Queria chegar logo e preparar o apartamento, enquanto a namorada ainda estava com a mãe, doente, como ele a viu combinar, na véspera, um pouco antes de dormirem. Abriu a porta de casa, deixou o buquê na cristaleira. Foi até a cozinha e conferiu os vinhos que tinha na adega. Verificou, também, a temperatura. Tudo ótimo! Vou abrir esse Bordeaux, hoje!
Foi tirando os sapatos e o cinto – o paletó já estava apoiado numa das cadeiras da mesa de jantar. Enquanto pegou algumas castanhas de caju, foi providenciar o vaso para deixar o buquê. Olhou vários, ficou em dúvida entre dois e, depois de pensar e repensar, percebeu que o melhor seria deixar tanto o anel quanto as flores pretensamente largados à mesa, para quando ela chegasse. – A Drica vai amar! Riu sozinho, ansioso.
Com a castanha de caju à mão, foi tomar um banho e até reclamou: 'Porra, a Drica sempre esquece a porra do ar condicionado ligado!' Quando abriu a porta, no entanto, viu que ela não tinha-se esquecido do ar condicionado. Ele estava ligado. Bem como ela, que também estava no quarto. Nua. Com a camisola fininha, quase transparente, que ele comprou para ela na semana passada – e que ela só não tinha usado porque era para uma “ocasião especial”. Essa seria a ocasião perfeita. Não estivesse, também, no quarto, o seu melhor amigo e sócio do escritório – que não tinha ido trabalhar aquele porque a mãe estava doente...








Eu fiz macarrão ao molhoh branco e salsichas pro Glauco... rsrsrsrsrs
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